Cientistas da UFSM reconstroem cérebro de réptil de 233 milhões de anos encontrado na Quarta Colônia

Cientistas da UFSM reconstroem cérebro de réptil de 233 milhões de anos encontrado na Quarta Colônia

Foto: Rodrigo Temp Müller (Divulgação)

Paleontóloga Lísie V. S. Damke segurando o modelo em tamanho real do cérebro de Venetoraptor gassenae

Paleontólogos da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) publicaram um estudo que reconstrói, de forma inédita, o cérebro de um réptil extinto que viveu há cerca de 233 milhões de anos. O trabalho foi divulgado na última sexta-feira (13) na revista científica Palaeontology e tem como base um fóssil encontrado no município de São João do Polêsine, na região central do Rio Grande do Sul, área que integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO.

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A pesquisa analisou o fóssil do Venetoraptor gassenae, um réptil que viveu no Período Triássico e pertence ao grupo dos lagerpetídeos, considerados os parentes mais próximos dos pterossauros – os répteis voadores que dominaram os céus durante a Era Mesozoica.

O estudo foi conduzido por cientistas da UFSM em parceria com pesquisadores dos Estados Unidos, Argentina e Alemanha. A pesquisa integra a tese de doutorado de Lísie Vitória Soares Damke, desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da universidade, sob orientação do paleontólogo Rodrigo Temp Müller.


Como estudar o cérebro de um animal extinto

Como o cérebro é formado por tecidos moles que raramente se preservam no registro fóssil, os pesquisadores utilizaram tomografias computadorizadas para analisar o interior do crânio fossilizado. A partir dessas imagens, foi possível preencher digitalmente as cavidades cranianas e criar um modelo tridimensional aproximado do cérebro do animal.

Esse tipo de reconstrução permite aos cientistas comparar estruturas cerebrais com as de animais atuais e, assim, inferir possíveis comportamentos, hábitos e capacidades sensoriais de espécies extintas.


Réptil vivia entre as copas das árvores

O Venetoraptor gassenae tinha cerca de um metro de comprimento, bico pontiagudo, garras longas e membros delgados. Embora fosse um parente próximo dos pterossauros, ele não tinha capacidade de voo.

Segundo os pesquisadores, há indícios de que o animal se locomovia entre as copas das árvores, usando as garras recurvadas para se prender nos galhos.

Reconstrução artística de Venetoraptor gassenae mostrando o modelo 3D do cérebroIlustração: Caio Fantini (Divulgação)

A análise do cérebro revelou estruturas ligadas ao equilíbrio e à estabilização da visão bastante desenvolvidas. Uma delas é o flóculo do cerebelo, responsável por ajudar a manter o equilíbrio e a coordenação durante movimentos da cabeça.

Além disso, partes dos canais semicirculares do ouvido interno – estruturas fundamentais para o equilíbrio – também apresentaram tamanho maior em comparação com alguns outros répteis. Essas características podem ter ajudado o animal a se locomover com agilidade entre as árvores e possivelmente a capturar presas.


Próximas descobertas

Apesar do avanço, os cientistas afirmam que ainda há partes do cérebro do animal que permanecem desconhecidas. Entre elas estão os bulbos olfatórios, estruturas responsáveis pelo olfato, que não puderam ser reconstruídas porque os ossos que as envolviam não foram preservados.

A expectativa da equipe é encontrarnovos fósseis da espécie durante escavações que continuam sendo realizadas no sítio fossilífero onde o Venetoraptor gassenae foi descoberto, em 2022.


Fóssil está na Quarta Colônia

O fóssil analisado no estudo está depositado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM (CAPPA/UFSM), localizado em São João do Polêsine.

O centro integra o Geoparque Quarta Colônia UNESCO e abriga uma importante coleção de fósseis do período Triássico encontrados na região. O espaço também conta com uma exposição aberta à visitação gratuita.

A pesquisa contou com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Paleontologia de Vertebrados (INCT Paleovert) e da Alexander von Humboldt Foundation.

O artigo intitulado “Braincase anatomy and palaeoneurology of Venetoraptor gassenae, a lagerpetid pterosauromorph from the Late Triassic of southern Brazil”, publicado no periódico Palaeontology, pode ser lido na íntegra neste link.

* Com informações do Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia da UFSM

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